Fitoterapia e a Medicina Tradicional Chinesa


A fitoterapiaé o sistema terapêutico mais antigo do mundo remontando aos primórdios da história em que o homem recolhia, para fins medicinais, plantas no seu estado selvagem.

Fitoterapia literalmente quer dizer “terapia através das plantas”, conhecida na China por mais de 3 mil anos. Há registos na Índia, com mais de 4 mil anos da existência, de sistemas de cura baseados em plantas.

A área da fitoterapia chinesa é frequentemente mal compreendida no ocidente devido á escassez de material publicado sobre o assunto com a profundidade necessária, aqui no Blog do ITIO vamos informar suas principais características.

Grande parte dos medicamentos hoje utilizados no ocidente, alguns muito divulgados como a aspirina ou a morfina, provem da extração de componentes ativos de plantas.

Uma fórmula fitoterápica chinesa poderá englobar seis ou mais plantas e cada uma delas com objetivos bem definidos, que vai desde impedir efeitos colaterais indesejados ou encaminhar os agentes principais ao local da doença.

Nos anos 70 foram encontrados livros médicos clássicos que trouxeram alguns dados sobre o início da medicina herbária chinesa. Estas fontes mencionam 52 doenças, 283 prescrições e 247 de plantas incluindo: alcaçus, scutellaria, atractylodes, cnidium e muitas outras ainda utilizadas atualmente.

O governo chinês publicou um dicionário de drogas herbais chinesas abrangendo 5767 tipos de substâncias medicinais, ainda que na realidade e na prática clínica só são usadas regularmente cerca de 300 ervas.

Para se fazer uma fórmula fitoterápica chinesa, é preciso conhecer-se as capacidades energéticas, curativas e sinérgicas das ervas, ou seja, a interação de uma planta com as outras.
Na formulação chinesa existe uma erva Imperador, que vai determinar a ação da fórmula, as ervas Ministros, que ajudam a potencializar a ação do Imperador, as ervas Assistentes que são necessárias para o bem-estar da pessoa e cuidam do estômago para que este receba a fórmula, e finalizando as ervas Mensageiras que levam as ervas para o local necessário.

Ao contrário da Medicina Ocidental, a Medicina Chinesa é uma ciência fundada sobre a experiência empírica acumulada, divide os medicamentos de acordo com as suas propriedades e ações.

Propriedades das plantas (medicamentos)
As plantas podem ser classificadas:

– segundo as suas propriedades térmicas: quentes, mornas, frescas e frias, podendo ainda falar-se de uma quinta propriedade, a neutra.

– segundo os cinco sabores: azedo (ácido), amargo, doce, picante e salgado – segundo teoria elaborada por Chou Li em 770-476 a.C.

– segundo as quatro direções: ascendente, descendente, circulante (flutuante) e submersão –  sistema de classificação geralmente atribuído a Li Tung 1180-1251 d.C.

As ervas com propriedades mornas ou quentes são Yang em natureza.
Elas dispersam o vento e o frio interno, aquecem o baço e o estômago, reabastecem o Yang, também possuem ações estimulantes e fortalecedoras – ervas dessa natureza incluem o acônito, gengibre seco, canela e tratam várias doenças do frio.

As medicações com propriedades frescas ou frias tais como: coptis, scutellaria, gypsum e gardénia são Yin em natureza. Elas removem o calor, aliviam a inflamação patogênica, acalmam os nervos devido à sua ação inibitória, servindo também como antibióticos, sedativos e antiflogísticos para doenças febris.

Devido á variação na constituição corpórea, a circulação do Qi (energia), sangue e meridianos, assim como as manifestações externas da doença, as ervas com a mesma classificação com frequência diferem nos seus efeitos terapêuticos.

Cada um dos 5 sabores, determinados a partir de experiências a longo prazo, tem as suas próprias funções específicas. Geralmente as plantas de sabor picante exercem efeitos de dispersão e promoção; as de sabor adocicado de tonificação e regulação; as de sabor amargo efeitos fortalecedores e purgantes; as de sabor azedo efeitos adstringentes e as de sabor salgado efeitos suavizantes e purgantes. As ervas picantes como gengibre fresco e menta dispersam os patógenos externos.

As ervas doces são tônicas e lenitivas; o ginseng nutre o Qi e o alcaçus alivia a dor.
As ervas amargas tais como o melão amargo têm a ação de secar a umidade e são purgantes.
As ervas azedas amolecem, fortificam e umedecem.
Ervas suaves, sem sabor, tais como hoelen e akebia, são diuréticas.

Ascendência, descendência, circulação e submersão representam outras quatro qualidades adicionais usadas para classificar as plantas (ervas).

Ascendentes e circulantes referem-se a drogas que têm um efeito para cima e para fora, usadas para ativar o Yang, induzir á transpiração e dispersar o frio e o vento.
Em contraste, drogas descendentes e de submersão, possuem um efeito para baixo e para dentro – elas tranquilizam, causam contração, aliviam tosse, interrompem a êmese e promovem a diurese e purgação.

Como uma das teorias fundamentais na Medicina Herbária Chinesa, as quatro direções relacionam-se aos diferentes estados de doença no organismo humano.
Assim as plantas mornas, quentes, picantes e doces são classificadas como ascendentes e circulantes por natureza, enquanto as frias, frescas, azedas, amargas e salgadas têm ações descendentes e de submersão.
As ervas suaves e leves tais como flores e folhas normalmente possuem qualidades ascendentes e circulantes enquanto as ervas túrbidas e pesadas tais como sementes e frutos possuem efeitos descendentes e de submersão.

O especialista em fitoterapia chinesa pode mudar as características de uma droga processando ou formulando de maneira que se ajuste ás necessidades de cada paciente ou doença.

As ervas cozidas numa solução salgada ou vinagre torna-se descendente ou de submersão.
As ervas cozidas em vinho ou com gengibre tornam-se ascendentes e circulantes nas suas características.

Na Medicina Chinesa, a ação farmacológica da combinação de mais de duas ervas é chamada de “os sete efeitos das drogas”. Após séculos de uso empírico de remédios herbários, os médicos chineses descobriram que os efeitos de ervas isoladas mudam de acordo com o ambiente herbário.
Algumas combinações intensificam uma ação enquanto que outros tornam-se tóxicas ou reduzem a efetividade.

Esses efeitos farmacológicos de uma combinação herbária são difíceis de analisar porque a fórmula pode consistir de qualquer parte de quatro a doze ervas individuais que interagem entre si, ocorrendo três tipos de interações.

– Entre as ervas individuais.
– Entre os constituintes das ervas individuais.
– Entre os constituintes de ervas diferentes.

Os efeitos farmacológicos das combinações herbárias sobre o organismo humano provaram-se muitos complexos.
Isto demonstra que a fitoterapia chinesa na sua complexidade provou a sua eficiência no decorrer dos séculos, assim como na atualidade.

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